• Lucio Álex Belmonte

Caminhantes das trilhas


Capítulo 01

- Surpreendente! Estava eu, contemplando o vazio deste tremendo nada que estava acontecendo.... Refletindo no ontem, naquele dia anterior. Perguntei a oito pessoas que tinham comprado meu livro “A Cidade dos Imortais – Volume I”; se realmente tinham lido o livro e um disparate foi revelado, ninguém o tinha lido até então... Mistério! .... Compraram o livro por ter lido algo a respeito, decidiram por ele e não o leram até aquele momento. Isso me remeteu a um vazio...

Eu respondi divagando...

Pensei, creio que esta será uma série que eu queria ter escrito ou que posso escrever, mas que o importante é que seja compreendida por quem realmente se lê em meus escritos...

Criando um jogo, uma procura da indiferença... virtual busca e busca física de caminhos do “eu” em “nós”...

Capítulo 02

- Conscientizar-se que se limita por carregar um peso extra e que poderia ser reciclado pela ponderação do tempo... esclarece o “eu”, tudo passa ou quase tudo, porque o presente sempre será o presente que recebemos existir. Tudo é uma questão de decisão. Tudo é a relação do “nós”.

Capítulo 03

– Ser ou estar, está é a questão.... Sei que se tem que cumprir com os compromissos, com os prazos, sei que poderia executá-los, mas no momento, necessito existir!

Reviver sempre será um desperdício. Reexistir, uma caminhada fascinante que não objetiva o encontro, mas sim, novos passos.

Entender as ausências no tempo, não é o mesmo que compreender o tempo das ausências.

O tempo é uma fronteira; a fronteira e não o final. Algo substancialmente cativante a ser transpassado por ele mesmo; o tempo.

Tem-se muitas coisas a serem realizadas, mas é imperativo se encontrar primeiro.

Minha alma está fria, congelada com recordações e esperanças difusas. Já não se tem a lua como inspiração e nem o sol como guia. O que será que realmente aponte o rumo. Penso que, indiretamente será algo externo, vindo do convívio com outras pessoas, mas, atraída por mim, nesta nova versão do que sou ou do que quisera ter sido.

Capítulo 04

– Temos a realidade expondo as artimanhas do poder, poder ser oculto. Nunca há poder no ocultar-se, mas sim em executar coexistindo; somente se vê o que ser quer e tem o poder de perceber. Percebe-se o “nós” se estiver, e somente se estiver plenamente “eu” em “nós”.

Tem tantas coisas externas querendo preencher o vazio que provoca, ou seja, cria-se o que não se tem para necessitar tê-lo. O “eu” não é vazio, porque para se perceber “eu” tem-se que compreender o “nós”.

Não há semente sem a terra, mas pode haver terra sem semente, a questão é de fertilidade.

Capítulo 05

– História é sempre algo real, mas as interpretações nem tanto.

Decidir são passos e escolhas rumos que outros falseiam como sendo nossas decisões.

A carência do que não temos é a abundância do vazio que temos.

Concebemos o inverno porque recordamos da esperança em um novo verão; mas sendo a vida estacoes num determinado tempo, os tempos intermediários são o que importam.

Nascemos numa primavera de admirações de mistérios, é ingenuamente ocultamos que antes se viveu o outono e inverno de muitos, mas como fomos doutrinados, objetivamos o verão de muitos.

Criativamente podemos nós nos decidirmos existir em uma versão melhor de nós mesmos iniciando pela primavera, coexistindo no verão e refletirmos no outono e finalmente percebemos que o inverno de um é muito mais agradável se for em companhia.

Tudo é uma questão de decisão!

Capítulo 06

– Alguém que se importe não é tão importante como saber definidamente quem realmente se importa. Importar-se consigo mesma a ponto de perceber a importância do outro nele mesmo e para si. Tudo é real até mesmo as nossas ilusões diante dos outros.

Capítulo 07

– Somente sabemos da existência das trevas por conhecermos a luz.

O interior de um o capacita para perceber a não existência interior. O conhecimento é temporal, mas a realidade é atemporal. O agora não define o ente, somente lhe fornece o momento de decisão.

Capítulo 08

– Pacto, mantem-se integro por ambas partes e é rompido por uma o mais delas. Deixar ir; deixar-se ir é sentir dor, mas convicto que mesmo assim se pode caminhar, mesmo ainda não sabendo exatamente para onde. Na verdade, nunca soubera e nunca se sabe.

Capítulo 09

– Andarilho das trilhas. A história do percurso é somente relatos que se quer ver e ou que outros vejam. Nem sempre ver é enxergar a si mesmo...

As pessoas não querem salvar o mundo, mas recordar do seu mundo, do mundo que construíram para si mesmas. Vendem sua liberdade de criar momentos novos por prisões de suas recordações, sejam boas ou ruins, pois, cada qual decide em que momento se apresenta como herói ou descobre-se que em realidade pode até ser um mero vilão que não tem aptidão para sê-lo.

Capítulo 10

– Talentos - O talento é esvaziado quando guiado por outros e não por quem realmente o possui e decide utilizá-lo compartilhando com o próximo.

O “eu” reflete a solidão de “nós”. Nós somos os nós que criamos quando simplesmente nos aprisionamos no “eu”.

O abandono do “nós” extingue o “eu”, porque o “eu” coexiste no “nós” e “nós” somente existe porque contém em si mesmo o “eu”.

A escrita não se torna escrita somente quando é escrita, quando registra a intuição e imaginação de forma racional, mas sim, quando esta é compreendido através da leitura. Da leitura de si mesmo através do outro, deste outro que compõe o “nós”.

(Do livro Caminhantes das trilhas – Lúcio Alex. Belmonte)